sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Entrega. Foi simples assim


Ok, a falta de treino já está me incomodando já. Reservei as últimas semanas do ano para meditar um pouco sobre o que passou e pensar o próximo ano. Acho que já deu. O ano foi ótimo, tenho pouco para reclamar, farei apostas pequenas com perdas toleráveis esse ano, mantendo o que já tenho. Pra mim, a época de riscos grandes já passaram.


Uma coisa continua verdade. Ir pro dojo deixa minha vida bem mais fácil de encarar. Eu sugiro a qualquer um que tenha problemas emocionais como os meus: encontre e entregue-se a sua paixão. Se gosta de pintura, não contente-se com um curso de desenho para quadrinhos. Vai com tudo, transforme sua casa em um ateliê,  torre o dinheiro do fim de semana com tintas e telas(porra! Não é sua paixão?), leia sobre o assunto dentro do ônibus, no caminho do trabalho.

(Sim, mantenha o trabalho. "just follow your dreams" no meu mundo não funcionou bem e me trouxe muitas frustrações. Executar minhas paixões livremente, sem precisar dar satisfações financeiras, ainda que limite minhas transcendências, tem funcionado melhor.)



Porque eu acredito que quando entrego-me a minha paixão até onde meus valores permitem, entrego-me a mim mesmo. Todas as consequências e preços a serem pagos soam irrisórios quando comparo a aquilo que se converte. Nem a solidão fica mais tão dolorosa assim. Sim, porque eu acredito que parte do medo da solidão não tem a ver só com o mal estar da não aceitação, mas porque muitos não se aguentariam os próprios pensamentos.



Pra mim isso tem funcionado muito bem pra encarar tudo que eu, com minha arrogância egocêntrica, defino como "escrotice". É simples assim. Quando eu visto o quimono e amarro a faixa pouca graduada que não mereço, quando fecho as luvas e prendo o capacete para proteger minha vaidade...



...todos os problemas desaparecem.

É simples assim.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Bipolar... or waking up?

Difícil falar mal deste ano neste momento. Não posso reclamar. Boa parte dos meus problemas foram resolvidos. Corpo, mente, espirito... e dinheiro. Mais proporcional, mais crítico, mais sereno... e dívidas pagas.

Foram tantas coisas que nem sei por onde começar. Não consigo me lembrar de nada particularmente desagradável este ano que não tenha conseguido superar. Tomara que eu não queime a língua. Ainda tenho superstição para olho gordo, mal agouro.

Uma coisa que ando fazendo é tentar aprender a lidar com pessoas, e acho que estou aprendendo. Isso tem me feito muito bem, principalmente a sobreviver a diálogos em que eu noto que estão mentindo pra mim sem começar a soltar fogo pelas ventas. Talvez seja um pouco mal caráter de minha parte em muitos casos, já que nem sempre há valores afetivos envolvidos. Falo mais de dinâmicas sociais, mesmo. Não me sinto culpado, é como as coisas funcionam. Lembra que você não conversa com mendigos, né?



Aliás quando a questão é afetiva, continuo meio que na mesma, com diferenças pequenas. Este ano estive particularmente promíscuo. Foi divertido. Deu pra aprender muita coisa, ainda dentro dessas dinâmicas sociais que ainda preciso aprender. E daí que ela só me quer pela (já não tão) boa aparência? Divirto-me com isso e assim que ela sumir parto pra outra! Já considero tudo muito sério pra perder a cabeça por alguém. Fome é sério, saúde é sério, violência, miséria, solidão forçada é sério. Perder a cabeça porque uma moça bonita não te quer, não mesmo. Se uma quis, alguma outra vai te querer, e que pode ser muito melhor pra você do que essa por quem você tá chorando, enquanto várias outras gostariam de ter uma boa companhia.



Dívidas pagas. Porra, que alívio. Fiquei tanto tempo vivendo com moedas contadas que nem sei mais o que é viver tendo algum pra comer na rua. Não fiquei rico, não dá pra morar em um apto maior, nem comer temaki todos os fins de semana. Mas não estou precisando fazer contas pra ver se vai dar pra comprar cuecas(em pacotes).

O melhor de tudo isso é conseguir estar sereno. Acredito que isso é mais fácil ao ser "cruelmente" sincero comigo. Precisei saber o que queria e priorizá-las para tirar aquele espinho da mente.

Sem remédio, sem terapias, sem consultas. Essa porra é ninho de vespa e talvez seja irresponsável eu dizer essas coisas. Mas foi como fiquei bem. Não vi nenhum comprovação científica de que minhas "oscilações de humor" são patológicas. Falam-se em exames que mostram como o cérebro de um esquizofrênico, bipolar, hiperativo funciona diferente do da maioria. Mas... e daí, porra? Não sou médico, mas imagino que diabetes, hemofilia, câncer, osteoporose é tratado como doenças porque são debilitantes, diminuem a qualidade de vida. Cor de pele (existe uma família onde todos são azuis), quantidade de pelos no rosto(outra família tem pelo até no nariz. Fora dele) altura( um koreano de 2,20m é campeão de kickboxing) não são tratados como doença e quando são, é porque o problema não é com eles, mas a aceitação social de que eles são diferentes.



Eu poderia apelar para as figuras de autoridade, e dizer que existem neurologistas conceituados que não aceitam a psiquiatria como ciência pelo único motivo de ainda não ter conseguido demonstrar cientificamente o que é uma doença mental. Até porque antes disso, seria necessário definir o que é mente. Dá pra passar bastante tempo filosofando, imagino. Mas talvez de cara já dê pra concluir que não é o cérebro ou sistema nervoso central, onde as drogas psiquiátricas atuam. E se essa for a interpretação, seria irônico concluir então que neurologistas teriam mais autoridade para cuidar da mente do que um psiquiatra, já que ignoramos o conceito abstrato de mente. Enfim...

Como alguém que costuma ser considerado super produtivo e com inteligência acima da média é tratado como doente? Porque isso acontece em intervalos irregulares, aos picos, ao contrário do resto que consegue adaptar-se a regularidade, mesmo que de forma medíocre e muitas vezes até mesmo contra-produtiva? Eu passei anos da minha adolescência sendo obrigado a estudar conceitos e saber sobre fatos que nunca adicionaram nada a minha vida nem de maneira metafórica, e por rejeitar isso, tive uma reprovação atrás de outra. Cheguei tarde e até faltei no trabalho muitas vezes, porque passei a noite anterior inspirado e com idéias que trariam lucros aos meus chefes. Preferi ficar sozinho, as vezes até estudando, do que virar noites ouvindo música ruim e aspirando fumaça de cigarro, ou ir a uma praia lotada com sol que deixaria minha pele ardendo por dias.



Mas fui o melhor do que outros trinta que disputavam minha vaga na universidade, enquanto vivia em um lar conturbado. Tinha conhecimentos antes da metade do curso que seriam ensinados só no último período. Fui aprovado em disciplinas dando-me o luxo de faltar a um dos exames. Derrotei esgrimistas de uma equipe que competia internacionalmente após dois meses de treino. Tive mulheres nuas na minha cama que muitos dos que leem aqui teriam que pagar caríssimo para conseguir parecido(tesão pro você not included).



Isso não é complexo de superioridade. Pessoas são diferentes. Minhas características talvez sejam, veja você, mais polarizadas. Isso, como deixo claro acima, definitivamente não quer dizer que eu seja mais debilitado do que você. Minha asma, sim. Meu comportamento polarizado, não.

Há quem diga que os remédios estão lhe fazendo bem, que ajudam a segurar sua onda. Isso é ótimo! Mas o que quero dizer não é "foda-se a psiquiatria"(ao menos não no que estou escrevendo aqui), nem "façam o que fiz", e sim "leiam as letras miúdas". Álcool em muitos momentos da minha vida me fez muito bem, pelo que sei faz pra muitos outros, e conheço mais de uma pessoa que parou de envolver-se com problemas depois que passaram a fumar maconha. Assim como o tal do lítio e, muitos anos atrás, Ansitec, me fez ver o mundo por outro prisma e me entender melhor. E não era essa a motivação declarada dos hippies para usar LSD?

Bom, esse assunto talvez deveria ser tratado a parte. Mas foi categórico pra mim esse ano.

Por cima de tudo isso, devo minhas resoluções recentes a uma pessoa: Sean Blackwell. Um quarentão canadense com pinta de galã de novela mexicana que publica uns videos no youtube com o nome de "bipolar or waking up?". O primeiro que assisti foi "normal life sucks!" ou coisa assim. Não é exagero dizer que o cara foi meu herói. Devo ter falado com ele umas cinco vezes por e-mail, e ele já sabe disso também.

Até agora está tudo bem. Tomara que continue assim. Estou bem feliz.

Caralho, escrevi pra caralho...
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