segunda-feira, 4 de julho de 2011
Random thoughts
De repente passei a sentir-me na obrigação de executar os papéis clichés de ser homem. Não chorar, ter dinheiro, poder, ser forte, saber de tudo. Meus pensamentos voltaram a acelerar. Tenho certeza que ter reduzido pra menos da metade o tempo de academia não é coincidência.
Quanto mais olho pra trás, mais desgosto sinto por mim, por ter sido tão arrogante. Fui a maior vítima minha. Justiça. Desgosto. Quanto desgosto. Porque fui demorar tanto pra me encarar no espelho? Agora fico assim, com essa sensação de tempo perdido, querendo recuperá-la. Mas já é tarde pra muita, muita coisa. Tenho que aceitar, juntar os cacos que puder catar, e seguir em frente. Deu vontade de assistir Drugstore Cowboy.
Arrogância, e covardia. Medroso. Eu deveria viver menos preocupado com os aplausos dos outros macacos. Quem sabe assim os sonhos desse cara gritando comigo somem de vez. Porra, já devem fazer 15 anos que isso aconteceu. É tempo demais pra continuar carregando isso comigo.
Falo como se tudo isso já tivesse ido embora...
Fiquei preocupado com a quantidade visitas deste blog. Imagino que não seja muita coisa comparado ao que tem por aí. Mas me preocupo que alguém conhecido me leia. Qualquer passagem que possa ser associada a mim vai levar uma coisa a outra e certamente me identificariam. Dane-se o que amigos pensariam, estou preocupado com minha empregabilidade. E "ex"-maluco no currículo não pegaria bem.
Não acho muito difícil expor pra mim algumas angústias, mas tenho dificuldade de sentir-me a vontade com alguém sobre isso. Vejo algumas pessoas aproximando-se, mas raramente vejo alguém ouvindo, alcançando o que tenho a dizer. Não consigo lembrar de ninguém nesse momento. Mas também não sei se pego o que elas dizem. Algumas falam pelos cotovelos no telefone, diz "então tá tudo bem, né?", desligam, e não lembro de nada que tenha me tocado.
The monkeys are alone. All the 6 billions of them.
Me vi da noite pro dia sozinho, precisando pagar comida e casa. Depois de muito tempo me adaptei bem a solidão. Não é incomum eu passar fins de semana sozinho, no máximo algumas horas com alguma mulher mal conhecida. Tenho medo de perder esse costume da solidão. Tenho medo de ver a mim novamente totalmente a deriva dos ventos, inconstante, sem saber como lidar com o abandono repentino, com a falta de dinheiro e conforto. Tenho medo de apegar-me a qualquer coisa e de repente vê-la partir. Tenho andado engatinhando, por medo de tropeçar feio.
Pronto. Será que agora a insonia passa? Tô com sono, mas não consigo dormir. É como se eu estivesse com medo dos meus próprios sonhos, de ver ele de novo me ameaçando.
A gente não amadurece. Fica até um pouco sabido. Mas não amadurece, apenas perde o pique.
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2 comentários:
Te leio muito mais do que imaginas.
vc escreveu meus sentimentos nesse momento...
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