As coisas por aqui vão bem. Tenho procurado manter minha vida simples. Trabalho, academia, casa. Enquanto tiver isso, não me sinto no direito de reclamar. Tenho que ser realista. Procuro levar uma vida de sobrevivente, sem muitas ambições ou apegos. É só eu lembrar de como foi e como pode ser e fica mais fácil de eu mesmo entender minha posição. Vou tentando ser feliz sem querer impedir muito na vida dos outros. Tenho minhas ambições, bem mais modestas agora. Estou voltando a estudar, e continuo praticando os esporte que gosto e fazendo coisas que antes não conseguia neles. Tenho achado mais fácil viver com o que sou e como o resto das coisas são.
A academia, lembrei recentemente, é como uma terapia em grupo. É o momento que não me sinto sozinho, mas unido a outras pessoas por uma paixão em comum. É o momento que não conta o que pareço, ou minha inteligência. A paixão por aquilo que praticamos parece suficiente para eu ser aceito e respeitado. Os esporros são construtivos, edificantes. As surras são justificadas. Gosto disso. Só tenho sentido muita falta de um senhor que treinava com a gente. Ele tinha muitos anos de treino, e um filho recém adolescente que era de lá também. Ele era bastante atencioso, sempre me mostrava coisas novas e dava muito crédito as minhas habilidades. Eu gostava do jeito atento que ele olhava quando eu treinava com seu filho. Mas ele teve uma proposta muito boa de trabalho em outra cidade, que o encorajei a aceitar.
Mas não posso reclamar do trabalho também. Apesar de tudo que o corporativismo tem pra desservir, me dou muito bem com as poucas pessoas com quem atuo diretamente, com pequenas exceções. Até mesmo tenho saído pra almoçar com eles de vez em quando, uma puta novidade em minha vida. Talvez eu visite com um pessoal de lá mesmo a casa de um outro cara, pra vermos filmes e comer porcarias. Acho que vai ser legal. Enquanto eu segurar minha lingua pra não soltar algo que considerem grosseria, show. Sobre meus hábitos, gostos, jeito de vestir e tudo mais, ao menos por hoje, dane-se.
De tempos em tempos costumo ter um filme com o qual cismo, me identifico. Atualmente é o The Wrestler. Aputa que ele tem como interesse romântico não correspondido, o abandono, decadência, o deslocamento no mundo, o corpo que não o obedece mais como antes, os breves momento de sensação de estar livre, me soam como um aviso dos anos a frente.
Enfim, alguém como eu não pode reclamar da vida que tenho. Não é muito, e a verdade é que definitivamente tenho mais do que preciso e, por alguns pontos de vida, até mais do que mereço. De tempos em tempos ainda sinto uma dorzinha na consciência por certas cagadas, mas sei que em quem "pisei" já está bem e que equanto eu não estiver por perto, as coisas vão continuar assim. Novamente, não posso reclamar de jeito nenhum.
A única coisa que fica coçando atrás da minha orelha é uma necessidade que surgiu, do nada, de assumir responsabilidades, como falei em um post anterior. Vestir-se bem, ter dinheiro, carro e um apartamento maior, e simplesmente por ser homem. Imagino que tenha a ver com uma brincadeira que andei fazendo, quando conhecia alguma menina que me interessava. Eu falava que minha profissão era algo bem humilde, como jardineiro, ou caseiro. A conversava não andava muito mais depois disso. As vezes o choque era claro também quando visitavam meu lar espartano. Houveram as exceções que não ligavam pra um nem outro, pra minha felicidade.
Mas por enquanto não conheci alguém que tenha cutucado meu coração. Ao menos não quem me quisesse. Já tentei namorar alguém que, apesar de não ter me enlouquecido, morrer de amores, era uma boa companhia. Era uma mulher bonita, inteligente, independente, presente, e por essas razões práticas quis tentar. Mas não deu. Ela notava que havia algo fora do lugar, que eu não estava morrendo de amores, como ela. Mas pra falar a verdade, acredito que esse tipo de coisa é possível, realista. Não vejo mais necessidade de paixões explosivas, ardentes. Por um certo ponto de vista acho até indesejável. Só queria uma boa companhia e uma certa certeza que não está de olho no meu pouco dinheiro nem em alguém com quem se possa trepar ensandecidamente sem a sociedade julgar. Só essas duas coisas já seria ótimo. Pois é, eu não sinto vontade de transar todos os dias de uns anos pra cá. Não sei se é idade, realização pessoal ou falta de alguém que me acenda. Apostaria na segunda, pela mudança abrupta do ritmo.
1 comentários:
Sou assim também tenho mais do que necessito, mas nunca dei muito valor no que minha família me dava, talvez por já ter recebido mais do que poderia querer, apenas comecei a dar valor nos dias de hoje (27 anos), meus amigos ou garotas espantavam-se ao perceber minha casa, eles achavam coisa de filmes o modo que se entra colocando as digitais e algumas pessoas famosas que moram no mesmo apartamento.
Isso de amor me parece ter um sentindo porque quanto menos se ama alguém que está com você menos sofrimento você vai ter caso algo aconteça, esse é o pensamento que comecei a ter após alguns romances.
Mas acho que deve ser errado nos temos que nos permitir amar mesmo, não importando amanhã.
E estou fazendo como você praticamente, mantenho a vida simples sem badalações, apenas academia de manhã e a tarde
exagerei tanto que nem amigos mais vejo, aprendi que meus verdadeiros amigos são minha família apesar de não saber como pedir desculpas para meu pai/padrasto depois dos meus últimos erros.
E que bom você estar bem, ficar bem é ótimo continue na academia que esse bem estar nunca vai passar, mesmo se ficar "down" a academia te reanima.
Postar um comentário