terça-feira, 6 de setembro de 2011

The begining is the end is the begining

Eu não sei por onde começar...

Esse ano eu juntei dinheiro. Mês passado, usei ele todo pra pagar o que eu devia. Acho que dessa vez sim, estou com todas minhas dívidas zeradas. E duro.

Mas hoje depositaram meu salário. Não vai faltar nada se eu não aprontar esse mês.

E é véspera de feriado.

Porra. Eu tô enrolando. Eu sei qual é o meu problema.

Veja bem, eu não sei como falar isso sem soar arrogante ou prepotente: em tudo que costumo despontar, foi quando me desgarrei do que estava a minha volta e corri por conta própria, da maneira que EU achava correta. Não quero dizer que sempre estive certo, mas que estive certo quando concluí que era melhor errar por conta própria do que acreditando em outros.

Exemplos práticos?

A diferença de performance na universidade (ok, apenas nas disciplinas que me foram cobradas no mundo aqui fora que os acadêmicos costumam desdenhar), comparando-a com aquilo que nos enfiam goela abaixo em ensinos médio e fundamental.

A transformação do corpo, quando simplesmente liguei o foda-se para o que professores de educação física de academia falam e passei a pesquisar por conta própria, como ser mais forte, mais rápido, mais ágil, mais resistente.

Quando aprendi um pouco mais a aceitar quem sou e descobrir o que são limitações genuínas, e não achismos de terceiros que chamamos de sociedade. Você já viu esse filme né? Alguém que diz que seu cabelo é curto demais, suas roupas justas demais, coloridas de menos, que você deveria sair mais.

As pequenas vitórias, dentro do tatame, sobre homens maiores, mais fortes, mais "graduados".

Ok. Dito isso, a questão que me incomoda tem a ver com essa última.

Se sempre preferi caminhar sozinho do que esperar por alguém que fazia corpo mole, dessa vez tive a sorte de esbarrar com quem tinha a mesma urgência que a minha. Com chuva, sol, pouco espaço ou tarde da noite, a gente se encontrava, e treinava.

Só que o mundo deu voltas, escolhemos nossos caminhos, e depois de muitos anos relevando diferenças, acredito que elas chegaram em uma bifurcação.

Ainda estou confuso. Ainda é estranha a sensação de que agora em diante, meu caminho é solitário. Me lembrei da época de desilusões antes mesmo da adolescência, após ter conhecido professores incompetentes das artes.

Artes. Bruta, dolorida, ingrata, vulgar, ultrapassada, inadequada. Mas, arte. Não é fácil encontrar alguém disposto a dedicação que tivemos, ir além de si mesmo, reinventar-se, julgar-se, chatear-se, entediar-se, por absolutamente nada em troca, nem mesmo um parabéns. Uma represália e mais provável.

Hoje eu deveria estar treinando. Mas não sinto ânimo. Sei que não é pra sempre, nem mesmo por muito tempo. Ainda que continue indo a academia cuidar do corpo como se ele fosse um templo, tenho a sensação de tempo perdido. Preciso de um tempo pra cair na real, e lembrar que sempre que estive me dedicando a algum objetivo sozinho, foi melhor.

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