quarta-feira, 7 de setembro de 2011

James O'Barr

Ontem a noite finalmente li o quadrinhos The Crow original. E li sobre a inspiração do autor também. Em convenções de quadrinhos, ele dizia que foi uma notícia de jornal sobre o assalto de um casal de jovens por un anel de noivado barato.

Em uma entrevista, ele conta a verdade completa.

Um motorista bêbado matou sua noiva. Ele tinha 18. O quadrinhos foi uma tentativa de extravazar a raiva que ele sentia. O inverso ocorreu. Quanto mais ele dedicava-se, mais profundo ele mergulhava na merda.

I was focusing on all this negativiy.


Ontem a noite eu estava desanimado pra tudo. Vontade de fazer nada, apenas esperava o sono vir. Nessas horas internet é bem mais oportuna do que TV. Uma pena que não tive quando mais jovem, mesmo que no meu tempo ela seria bem diferente do que é hoje.

Ler O Corvo me fez bem. Sempre gostei muito do filme, e deve ser o que vi mais vezes. O quadrinhos é mais pesado, violento, doentio, dark. Bem parecido com minha adolescência. Era isso que eu pensava quando lia.

Quando mais novo, era mais fácil ser cativado pelas coisas. Uma mulher bonita, um filme, algum esporte movimentado, ou acrobacia, uma boa história. Mas acho que com o tempo vamos conhecendo melhor o mundo, e vai ficando mais difícil se surpreender. Tudo é novidade quando somos mais novos, e particularmente interessante com a sensibilidade e confusão da adolescência.

Aos 31 anos acho fácil ficar entediado se o assunto não tiver relação com dinheiro, saúde ou as pessoas que sou afeiçoado. Cada página me mostrava isso, as passagens de auto mutilação, canalização da raiva, inflingindo dor em mim de uma forma que pudesse ser construtiva. Destilação, sublimação. Destilados.

Ainda assim, temia perder essa sensibilidade. De alguma maneira ela deixava mais divertida minha vidinha sem graça de escola, videogame, comer ninguém. E a raiva, estava aprendendo a lidar com ela, a canalizar e construir coisas.

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